Dia do professor: confira a entrevista com o docente Dimas Novais

Hoje, dia 15 de outubro, comemora-se o Dia do Professor, desde 1947, idealizado por Salomão Becker, um professor paulista, baseado na data de um decreto de 1827, quando Dom Pedro I instituiu a criação do Ensino Elementar no Brasil, garantindo “escolas de primeiras letras” em todas as cidades.

Em homenagem a este grande dia, convidamos o professor Dimas Novais para uma entrevista sobre a profissão. Professor Dimas Novais é educador, filósofo, escritor e palestrante e na entrevista ele fala sobre sua formação, sobre a valorização da classe dos professores e, sobre os desafios da profissão nos tempos atuais, confira.

 

74Gazeta- Qual é a sua formação?
Dimas- Sou mestre em Filosofia Social pela PUC. Também sou habilitado em Sociologia, Psicologia e História. Além de vários cursos de pós-graduação e aperfeiçoamento tenho formação em Pedagogia o que me habilita exercer a gestão escolar. Atualmente atuo como professor na Rede Estadual e diretor de escola na Rede Municipal. Sou palestrante e escritor. Amo ser professor, embora nossa atividade seja cansativa e estressante devido ao ritmo de trabalho. Não é fácil trabalhar na formação de um outro ser humano, mas só quem aprendeu pode ensinar e a primeira matéria que aprendemos é como se tornar Humano. Tenho mais de vinte anos de experiência na profissão, da educação infantil à pós-graduação e digo, com certeza, que vale a pena ser professor, pois nós fazemos a diferença na vida das pessoas. 

Gazeta- Quando e porque você decidiu ser professor?
Dimas- Eu tive uma sólida formação no seminário católico. Na verdade me preparava para o sacerdócio. Após deixar o seminário ingressei na carreira do magistério. Embora seja uma profissão, a docência não deixa de ser um sacerdócio, pois exige doação e renúncia. Lembro-me com muita lucidez o meu primeiro dia como professor, a primeira vez que entrei numa sala de aula. E ali descobri que havia acertado na escolha de ser professor.

Gazeta- Você considera que a figura do professor é valorizada?
Dimas- Nós professores queremos muito ser valorizados pela sociedade, e merecemos, porém, como sempre digo em minhas palestras, não devemos esperar ser valorizado pelo outro, nós precisamos auto se valorizar. Se nos considerarmos importantes, se sabermos do nosso valor para a sociedade, se alimentarmos uma autoestima diária, então torna-se indiferente se a sociedade nos valoriza ou não. O professor nunca perderá lugar de destaque na sociedade, mas aqueles que se tornaram doutores e governantes porque passaram pelas mãos de um professor deveriam se lembrar mais disso.

Gazeta- Como enxerga a educação no país hoje? O que poderia ser diferente?
Dimas- Nós não temos uma educação de qualidade, embora os números queiram afirmar o contrário. Nossas crianças e nossos jovens não aprendem o necessário, apenas o mínimo e isso é demasiadamente pouco. Se, de fato, houvesse uma política educacional séria nesse país, a educação já teria transformado a nossa realidade, pois toda mudança passa necessariamente pela sala de aula, pois é na sala de aula que se forma o cidadão. E tem outro detalhe: a reforma que se propõe atualmente não trará mais qualidade à educação, mas somente plantará incertezas e dúvidas quanto à possibilidade real de sermos um país que prioriza a educação em vista da formação de um cidadão crítico e participativo.

Gazeta- Qual é a principal dificuldade que um docente enfrenta no dia a dia?
Dimas- São várias as dificuldades, desde salas de aula com grande número de alunos até a falta de um cafezinho no intervalo. Mas não há dúvida que a principal dificuldade vem no ato de ensinar. É muito difícil você ensinar alguém que não quer aprender. E vivemos essa realidade hoje e esse é o grande desafio da nossa profissão: ensinar a alunos que não querem aprender pois não sabem o valor do conhecimento. Mas nós somos insistentes e não perdemos a esperança. O professor é portador da esperança. Ele a tem em suas mãos e a entrega gratuitamente a quem desejar. Sentimos muito que nossos alunos não compreendam essa lição.

Gazeta- E o que há de mais gratificante em dar aula?
Dimas- Quando vimos alguém que cresceu, se formou, constituiu família, construiu sucesso em sua vida e o encontramos na rua e ele se lembra de nós e nos agradece, pronto, valeu a pena. Esse aluno aprendeu a lição, abraçou a esperança, plantou no rico solo de sua vida e colherá frutos permanentes. Está aí a nossa maior gratificação: fazer a diferença, ainda que na vida de uma única pessoa, e ela reconhecer que você o ajudou a vencer na vida.

Gazeta- Qual conselho você daria para quem deseja seguir a carreira na área de educação?
Dimas- Seja forte e corajoso. Somos humanos e heróis ao mesmo tempo e como qualquer super herói temos talentos e fraquezas. Ser professor hoje é um grande desafio. Não é para todos. Não podemos esquecer que o material que temos em nossa mão é o futuro de uma pessoa. Eu dou o maior apoio para quem deseja ser professor, só digo uma coisa: não entre enganado na profissão, conheça-a bem e a assuma verdadeiramente. Mesmo assim, prepare-se: você vai se estressar.

Gazeta- Gostaria de acrescentar alguma coisa?
Dimas- Há uma frase que sempre está presente no facebook: “Sem professor, não há doutor”. Que as pessoas que se preparam para o magistério sejam futuros profissionais carregados de afetividade, de amor, de sentimento de missão, de vocação e de ideal. Saibam que irão se cansar, até quem sabe pensar em desistir, mas persistindo perceberão que vale a pena ser professor, fazer a diferença na vida das pessoas. E que nossos governantes sejam corajosos o suficiente para implantar uma política educacional onde o professor receba um salário digno e boas condições de trabalho. O futuro, a esperança, o conhecimento, está nas mãos de um professor. E esse professor está pronto a dar todo esse tesouro a quem desejar receber. Que nossos alunos sejam inteligentes o suficiente para não ignorar esse tesouro que poderá verdadeiramente faze-los ricos em suas vidas. A estatística é preocupante: apenas 2 a 4 % dos jovens pensam em ser professor. Precisam refletir sobre isso, pensar no futuro que queremos construir para essa nação.




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